domingo, 27 de maio de 2012

Aqui é o meu lugar (This must be the place - 2011)


Aqui é o meu lugar é um filme maravilhoso do começo ao meio. Nele encontramos Sean Penn vivendo na pele de um rockeiro aposentado que fez sucesso com músicas depressivas em décadas passadas. A atuação de Sean Penn na pele de Cheyenne é uma das melhores de sua carreira e é o que mantém o filme em pé. O diretor Paolo Sorrentino imprime um tom contemplativo que contrasta-se maravilhosamente bem com o gênero road movie. O problema é que a mistura não para por aí. Abordar a relação de Cheyenne com o pai judeu e aprofundar essa abordagem seria o bastante, mas logo o roteiro faz com que o cantor se veja em uma caçada ao nazista que seu pai procurou a vida inteira para se vingar, o que faz com que o filme perca sua força e parte de seu sentido. Aqui é o meu lugar é um filme com um personagem maravilhoso que busca um lugar dentro de si  - e que acaba encontrando-o de uma forma bastante confusa. Destaque para a sempre bem-vinda Frances McDormand.

domingo, 13 de maio de 2012

Incêndios (Incendies - 2010)


Ela morreu e pediu para ser enterrada de costas para o mundo. Seu testamento é aberto na frente de seus filhos. Para a surpresa de ambos, três cartas são deixadas. Uma, a filha Jeanne deve entreguar ao pai que julgavam morto; outra, o filho Simon deve entregar a um irmão que não sabiam que existiam; e uma terceira os dois devem abrir juntos depois que as duas primeiras cartas forem devidamente entregues a seus destinatários. Somente depois que tudo isso acontecesse, eles poderiam colocar uma lápide no túmulo da mãe Nawal Marwan e escrever seu nome na pedra.

E é a partir desse último pedido de Nawal Marwan que o filme inteiro se desenrola. Desde o começo fica bem claro para o espectador que aquele passado guarda muitos segredos, tão dolorosos para serem revelados quanto foram de serem vividos um dia, e somos questionados se vale à pena buscar verdades tão dolorosas pelo simples fato de serem verdades. A busca de Jeanne e, posteriormente, de Simon, pelo pai e irmão desaparecidos, é apresentada paralelamente à vida de Nawal. Esse recurso do roteiro que poupa o espectador de uma investigação barata e cansativa é um acerto e tanto, pois ao mostrar a vida de Nawal em uma linha cronológica e objetiva, temos a identificação imediata com uma das melhores personagens femininas que eu tive o prazer de ver em um filme. Como efeito catalisador, temos a atuação soberba de Lubna Azabel, que consegue se destacar no meio de um elenco que não deixa a desejar em momento algum.

Se a coluna vertebral de um filme é seu roteiro, Incêndios não tem de reclamar de dores nas costas. Misturando uma história familiar cheia de segredos com o conflito entre cristãos e muçulmanos no Oriente Médio, o longa consegue nos envolver sem qualquer esforço. Em momento algum o conflito religioso é tendencioso, fazendo apenas parte da estrutura orgância da história da família Marwan. O roteiro apuradíssimo e ritmado garante duas horas de duração de arcos narrativos belamente desenvolvidos. Esses arcos, as vértebras que formam a coluna do roteiro, são divididos por uma titulação que poderia ser descartada, mas que não chega a atrapalhar.

É interessante notar como essa busca muda o que os filhos de Nawal pensavam dela. Na medida em que vão descortinando o passado e a vida de Nawal é nos apresentada em tela, tanto eles quanto nós passamos a ter uma visão integral da vida de uma mulher antes incompreendida, mostrando que, para começarmos a compreender outro ser humano, devemos antes dar os mesmos passos que ele deu, ver as mesmas coisas que ele viu, sentir as mesmas coisas que ele sentiu, seja isso feito literalmente, como fazem os filhos da personagem principal, seja metaforicamente, como faz o espectador.

Incêndios possui um desfecho que nos tira o ar. Chocante, audacioso e assustador, o fim do filme jamais soa gratuito, sendo completamente justificado pela construção da trama. É a coroação mais do que merecida de uma história arrebatadora, de uma experiência cinematográfica difícil de ser explicada com palavras e de um dos melhores filmes dos últimos anos. Um filme soberbo que fala sobre tudo que se esconde sob as cinzas de um passado repleto de incêndios que deixaram marcas para toda a vida.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Os Vingadores (The Avengers - 2012)



Poucos filmes criaram tanta expectativa diante do grande público como Os Vingadores, filme da Marvel Studios que estreou quebrando recordes e fazendo barulho. Nele temos Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Thor, Gavião Arqueiro, Viúva Negra e Nick Fury tentando salvar a Terra de uma invasão alienígena comandada por Loki, irmão de Thor que voltou para dominar os humanos. Mas antes dessa batalha decisiva acontecer, temos um primeiro ato longo em que o roteiro se preocupa, acertadamente, em dar o devido espaço que cada personagem merece. O problema é que esse primeiro ato é muito mais longo do que deveria, tendo sequências inteiras perfeitamente descartáveis. Preocuparam-se tanto em focar em seus protagonistas que esqueceram do vilão, que não convence em momento algum como uma ameaça digna de ser temida, o que acaba prejudicando um pouco o terceiro ato, a melhor parte do filme. O roteiro parece ter se preocupado mais em fazer rir do que criar uma trama bem articulada, o que resulta em um filme que parece longo demais. Ainda assim, um prato cheio para os fãs do gênero. Destaque para as ótimas atuações de seus protagonistas.

Paul Newman


domingo, 6 de maio de 2012

Titanic (Titanic - 1997)


Uma das obras mais amadas e odiadas do cinema voltou. Vendido como uma experiência em 3D, Titanic volta às telas de cinema do mundo para naufragar mais uma vez. Sou desses que sempre quis ver Titanic na tela grande do cinema e não perdi tempo. E nem dinheiro. Pois a verdade é que Titanic voltou apenas para provar de uma vez por todas que a mistura de uma história grandiosa, um amor impossível e um apuro técnico impecável promoveram nada menos que uma obra prima - coisa que nem o tempo, sua trilha sonora melosa ou o mal que esse tipo de filme faz à indústria cinematográfica podem ofuscar. De$taque para o 3D ou, se preferir, para a falta dele.

Jogos Vorazes (The Hunger Games - 2012)


Confesso que fui ao cinema assistir a Jogos Vorazes sem nenhuma pretensão além de conferir o burburinho ao redor do filme, mas antes mesmo dos créditos subirem estava satisfeito com o resultado. Jogos Vorazes é uma mistura excitante que questiona a sociedade o tempo inteiro e de um extremo ao outro - de nossos instintos de sobrevivência mais básicos até a forma como vivemos hoje. Esses instintos são a base dos jogos mortais que se desenrolam em tela enquanto nosso comportamento social é questionado através dos jogos políticos e midiáticos que se confudem por trás da violência. E ele faz isso tudo sem ser chato ou ruim. Ainda assim muitas coisas ficam a desejar, como uma explicação mais sólida dos motivos - racionais - dos jogos serem realizados, a tentativa fracassada de um triângulo amoroso pra lá de insosso e as idas e vindas nas mudanças das regras do jogo. Destaque para a direção de Gary Ross e a atuação de peso de Jennifer Lawrence, que juntos fazem de Jogos Vorazes um entreninemento de alta qualidade.