sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A Febre do Rato (2011)




O cinema brasileiro é repleto de produções conservadoras, e muitos diretores que tentam fazer algo diferente geralmente derrapam em estereótipos calcificados. Felizmente, o diretor pernambucano Cláudio Assis não faz parte desse grupo. A Febre do Rato é a história de uma cidade desorganizada e seus habitantes desorganizados. O submundo de uma das maiores cidades do Brasil é revelado diante de nossos olhos com todo seu poder. Todos os palavrões e nudez são justificados pelo anarquismo proposto pelos personagens. Algumas vezes a câmera é colocada sobre os mesmos como se eles fossem pontos cartesianos no mapa de Recife. Seus corpos são sua própria cidade. É Cláudio Assis colocando ordem na desordem ao mostrar o melhor da mesma. No final, o clímax do filme nos faz perguntar quem são os ratos e quem está febril. Destaque para Irandhir Santos, que interpreta um poeta, em uma das melhores performances do ano, e para a fotografia em preto e branco, que captura toda a crueza da cidade retratada e toda a beleza dos poemas declamados.