segunda-feira, 11 de março de 2013

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower - 2012)



É difícil encontrar alguém como Stephen Chbosky na indústria cinematográfica. O escritor americano da Pensilvânia escreveu um livro e o adaptou, produziu e dirigiu para as telas do cinema. Com Chbosky no comando de tudo, o filme teve seu potencial elevado ao máximo. Em As Vantagens de Ser Invisível, somos apresentados a Charlie, que escreve cartas para um amigo que cometeu suicídio. O garoto, tímido e inteligente, está prestes a entrar no ensino médio e tem que lidar com as dores e prazeres dessa nova realidade. Ele conhece Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), os irmãos que estão prestes a deixar a escola. Enquanto Patrick tem que lidar com uma relação homossexual, Emma tem que encarar o fato de que talvez não seja boa o bastante para ir para a universidade.

O roteiro é construído sobre o drama de cada personagem e cada um deles tem a chance de ser desenvolvido. O relacionamento de Patrick e a forma como isso cresce em cena é um soco no estômago. Emma tem que lidar com um complexo de inferioridade aparentemente sem fim. Ela pensa que nunca irá à universidade e se relaciona com pessoas que pensam a mesma coisa. Os personagens secundários não possuem tal desenvolvimento, mas têm características próprias que dão a eles alguma profundidade e enfatiza a realidade do roteiro. Um dos principais elementos que contribuem para o desenvolvimento de todos esses personagens é a música, especialmente Heroes, de David Bowie.

Uma das melhores coisas no filme é seu elenco. Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller são o ar que faz o filme ganhar vida. Lerman constroi seu personagem de maneira absolutamente cativante, conquistando a audiência de imediato. Perceba como sua interpretação é reduzida a movimentos sutis de boca, olhos e mãos. Tudo é calculado e o resultado é uma boa aposta para os próximos anos. Se Lerman possui um desempenho totalmente intimista, Ezra Miller é justamente o oposto. Apesar de sua interpretação como Patrick ser energética, são durante as cenas de drama que ele mostra seu talento. Na primeira cena em que ela aparece, é impossível dizer que Emma Watson um dia interpretou uma bruxa em Hogwarts. Contudo, ela não se destaca, principalmente em frente à adorável interpretação de Lerman e a performance magnética de Miller. Ao contrário dos outros dois, a profundidade de sua personagem tem mais a agradecer ao roteiro do que à atriz. É importante sublinhar que a direção dos jovens atores por Chbosky foi fundamental. 

Se há algum tipo de erro em As Vantagens de Ser Invisível, este é seu terceiro ato. Com os graduandos indo para a universidade e Charlie começando o ensino médio, à primeira vista não há clímax. Assim, os problemas finais enfrentados por Charlie soam mais como uma tentativa desesperada de fazer alguma coisa importante acontecer do que algo natural e que faça sentido, conflitando um pouco com o restante do fluxo narrativo. Entretanto, isso não é um grande problema, pois a força de As Vantagens de Ser Invisível está em sua nostalgia. Ele foi feito para uma geração ainda jovem, mas que já possui algum tipo de nostalgia quando olha para trás e lembra que, um dia, durante alguns breves instantes, sentiu que tudo era pra sempre.