sábado, 11 de maio de 2013

Casa Vazia (Bin-jip - 2004)



Em Casa Vazia, somos apresentados a Tae-suk, um homem que entrega panfletos de restaurantes de porta em porta. Quando ele volta para uma casa depois de alguns dias e os panfletos ainda estão lá, ele sabe que não ninguém está lá e a habita por algum tempo. Tudo muda quando ele entra em uma dessas casas pensando que ela está vazia e encontra Sun-hwa, uma dona de casa mal tratada pelo marido, e uma estória de amor se inicia.

A estória de Tae-suk e Sun-hwa é construída de forma maravilhosa graças a Ki-duk Kim. É interessante notar como o diretor escolhe mover sua câmera para uma dona de casa com Sun-hwa. Vivendo em uma sociedade que ensina as mulheres a servir seu pai, marido e, por fim, seus filhos, Sun-hwa está na metade desse caminho. Quando o diretor sul coreano move sua câmera para o olho roxo de Sun-hwa, na verdade ele está mostrando toda uma cultura. 

O filme não possui diálogos. Há falas ditas por alguns personagens, mas elas não organizadas de forma a se criar um diálogo. Tae, o personagem principal, não diz uma única palavra durante todo o filme, e nós ouvimos a voz de Sun-haw apenas uma vez. Entretanto, isso não prejudica o desenvolvimento da narrativa e todo o filme é construído sobre silêncios. É indescritível o prazer de acompanhar o desenvolvimento de Tae e Sun porque ele é feito através de pequenos gestos. Quando um filme não possui diálogos, o ator possui apenas seu corpo para interpretar. Nesse caso, nós não estamos apenas falando de um filme mudo, mas de um filme mudo sul coreano, onde os atores tiveram que construir a relação entre seus personagens através de gestos contidos. Isso é o que faz suas interpretações tão marcantes. O desempenho do elenco é soberbo, especialmente as performances dos protagonistas, Hyun-kyoon Lee e Seung-yeon Lee. 

A trilha sonora possui um importante papel em Caza Vazia. Gafsa, escrita por Natacha Atlas, permeia todo o filme e sua melodia ajuda a completar as lacunas deixadas pela ausência de palavras. O fim do filme é totalmente inesperado. De repente ele parece abraçar o realismo fantástico e se tornar um sonho acordado. À primeira vista, o caminho escolhido pelo diretor para terminar seu filme parece destoar de todo o resto, mas ele foi utilizado para nos fazer pensar acerca do significado de uma presença. E a maneira como os ângulos e closes da câmera de Ki-duk Kim são combinados faz tudo parecer tão bonito quanto um poema vivo.