quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Corações Sujos (2011)


Uma selva estereotipicamente brasileira e o famigerado monte Fuji são os dois fundos que o fotógrafo de Corações Sujos possui para tirar suas fotos e é com essa emblemática cena inicial que o diretor Vicente Amorim abre seus trabalhos. Corações Sujos retrata o conflito na comunidade japonesa que se instalou no Brasil durante a Segunda Guerra. Quando muitos desses japoneses se recusaram a acreditar que o seu poderoso império havia perdido a guerra, iniciaram uma verdadeira caçada aos japoneses que afirmavam o contrário - e que, por esse motivo, ganhavam a vergonhosa alcunha de corações sujos. O maior problema do filme é sua falta de foco, que flui inconstante por Takahashi, Miyuki e a menina Akemi. Apesar de abrir e fechar o filme, Miyuki se mostra passiva durante todo ele, e a pequena atriz que interpreta Akemi, apesar de graciosa, não se sai muito bem nas cenas mais dramáticas. O núcleo brasileiro, representado por Eduardo Moscovis, é acertadamente deixado de lado para o filme abordar o conflito japonês. Talvez por esse motivo Moscovis seja desperdiçado, apesar de poucos bons momentos no início da película. Tratando da alienação humana causada pela negação da verdade e a decadência do homem sob o peso das imposições sociais, Corações Sujos consegue, apesar de suas falhas, ser um bom filme nacional, tratando com uma seriedade quase oriental os conflitos que se desenrolam. Destaque para a paleta de cores quentes, para a trilha sonora e para o excelente trabalho na construção de uma cidadezinha agrícola brasileira da metade do século XX.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cine Holliúdy (2013)


Em Cine Holliúdy, o diretor Halder Gomes encarna seu amor pelo cinema em Francisgleydisson, o proprietário de um pequeno cinema que tenta manter seu empreendimento vivo sob o impacto da chegada dos televisores nas pequenas cidades do Ceará. O maior trunfo do filme é se apropriar de uma linguagem particular dessa região do país para contar sua história, estrelada por uma rica variedade de personagens extremamente verossímeis retiradas do imaginário popular cearense. Por causa de sua linguagem particular, o filme foi vendido no Brasil como o primeiro filme falado em cearensês, tendo sido exibido com legendas para facilitar o entendimento do público originário de outras regiões. Entretanto, as legendas não cumprem esse papel eficientemente, muitas vezes apenas exibindo em tela o que os personages dizem, estando ali apenas como um recurso estilístico praticamente inútil. E apesar de seu ritmo inconstante, um melodrama que não convence, um antagonista que perde sua função no meio do filme e seu final estranho e abrupto, Cine Holliúdy revela-se um filme apaixonante feito por pessoas apaixonadas por cinema. De longe o mais engraçado filme de comédia do ano feito no Brasil, dando uma verdadeira voadora na pleura central da peridural de seus concorrentes. Destaque para Edmilson Filho como Francisgleydisson, cativante do início ao fim.

domingo, 22 de dezembro de 2013

O Homem de Aço (Man of Steel - 2013)


Depois da profundidade com que a história de Batman foi abordada na trilogia de Nolan, os filmes baseados em quadrinhos se viram diante da necessidade muito bem vinda de entregar a seu público mais do que apenas lutas dicotômicas entre o bem e o mal. E apesar de suas derrapadas, O Homem de Aço consegue fugir desse lugar-comum com êxito. O enredo do filme orbita em torno das escolhas do personagem principal e como elas constroem sua identidade. Isso se dá em tela através dos flashbacks, que mostram Clark Kent aprendendo a lidar com seus poderes e com as consequências de utilizá-los ou não, e mais tarde, quando adulto, de forma mais profunda e madura, com ele a ser confrontado diante de sua própria natureza através da figura do general Zod, vivido com paixão por Michael Shannon. Henry Cavill mostra-se a escolha ideal para viver Superman, pois além de possuir o semblante belo e nobre característico do herói mais famoso do mundo, consegue imprimir certa individualidade a seu personagem, apesar deste povoar o imaginário popular há décadas. O problema mais evidente do longa é seu terceiro ato. Embora Zack Snyder pareça ter controlado suas compulsões fílmicas, como sua famigerada câmera lenta, seus excessos abafam um desfecho que poderia ser muito mais catártico se não houvesse tantos efeitos especiais e explosões. Destaque absoluto para o polêmico desfecho da luta entre Superman e Zod, corajoso, necessário e coerente.