sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Annabelle (2014)



Depois do sucesso de Invocação do Mal, que considero um dos melhores filmes de 2013, nada mais natural para os envolvidos no projeto do que lançar um produto derivado de sua galinha dos ovos de ouro. Por isso, Annabelle, a boneca de sorriso sinistro que aparece no início de Invocação do Mal, ganhou um filme para chamar de seu. Ainda que não seja tão bom e tão assustador quanto o filme do qual deriva, Annabelle certamente entra na lista de filmes de terror que valem o ingresso. O maior trunfo do filme é fazer com que a sensação de perigo esteja presente desde o início. A boneca é assustadora mesmo quando não está possuída, e os inúmeros closes em seus olhos apenas reforçam isso. O estilo de Annabelle dialoga bem com o de Invocação do Mal. Televisores desligam sozinhos e portas fecham sem estar ventando, mas mesmo esses clichês são capturados com muita elegância. Mas a mitologia do longa é questionável. A boneca é possuída pelo espírito da mulher morta, mas, no decorrer da fita, o próprio demônio chega a aparecer, deixando qualquer espectador minimamente atento bastante confuso. Se temos um filme derivado de outro, seus universos deveriam ser os mesmos, com seus roteiros obedecendo às mesmas regras, o que não acontece por aqui. Ainda que utilize artimanhas pouco honradas, como o aumento repentino do volume da trilha sonora, tenha feito a proeza de desperdiçar as melhores cenas em seu trailer de divulgação e seu final se contente com soluções baratas, Annabelle cumpre muito bem seu papel. Dentre os atores, quem mais se destaca é o bebê, cujo carisma apenas evidencia a falta desse elemento nos protagonistas humanos. Destaque para as excelentes referências a O Bebê de Rosemary, de Polanski.

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